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Programa CNN BRASIL

20 de abril de 2022

Governo federal estuda mudanças para agilizar entrada de fertilizantes importados

đŸŽ„ Entrevista de Fernando Cardoso, Gerente de Procurement Loyder

Ministério da Infraestrutura quer plano para que insumos tenham prioridade no embarque e desembarque nos portos do país

Diante da restrição de acesso a fertilizantes importados, especialmente da China e RĂșssia, em decorrĂȘncia da Guerra da UcrĂąnia, o governo federal estuda medidas para auxiliar a entrada das matĂ©rias-primas atravĂ©s dos portos do paĂ­s.

Segundo o MinistĂ©rio da Infraestrutura, o governo trabalha em um plano para que cargas de fertilizantes tenham prioridade no embarque e no desembarque dos cargueiros, para agilizar a logĂ­stica do produto.

MinistĂ©rio da Agricultura, PecuĂĄria e Abastecimento, que tambĂ©m tem atuado nessa questĂŁo junto Ă  pasta de Infraestrutura, informou que vem monitorando o atual cenĂĄrio para a definição de prioridades relacionadas ao processo de desembarque de fertilizantes, “de acordo com as regras e protocolos necessĂĄrios”.

Os dois ministĂ©rios afirmam acompanhar os fluxos de desembarque do insumo e, “na medida da necessidade, o MinistĂ©rio da Infraestrutura poderĂĄ editar normas que definam as prioridades”.

Essa estratĂ©gia jĂĄ foi usada no ano passado, com navios de combustĂ­veis ao longo da crise hĂ­drica, durante a pandemia.

À CNN, o Porto de Santos, o maior entre os estatais do paĂ­s, informou que tem estudado adequaçÔes tĂ©cnicas para implementar a prioridade, como a alteração das normas de atracação em caso de necessidade.

PorĂ©m, destacou que no momento “estĂĄ trabalhando em plena capacidade de recebimento de fertilizantes, de forma que nĂŁo hĂĄ espera relevante de navios aguardando atracação com este tipo de carga”.

Atualmente, o Brasil importa 85% dos fertilizantes utilizados internamente. A RĂșssia Ă© a principal exportadora mundial do insumo.

Em decorrĂȘncia da Guerra da UcrĂąnia, a matĂ©ria-prima sofreu restriçÔes de acesso e, segundo especialistas, essa dificuldade em importar o produto pode causar desabastecimentos e elevação no preço de alguns alimentos.

Antes de a guerra eclodir, os fertilizantes sofreram alta histórica a partir do início deste ano, sob impactos dos altos valores de matérias-primas, gås natural e carvão.

Agora, as restriçÔes de exportação alavancaram ainda mais os valores dos fertilizantes, como diz Fernando Cardoso, especialista em fertilizantes no Essere Group e gerente da Loyder Brasil, indĂșstria de fertilizantes.

“Quem deve sofrer mais com esses impactos sĂŁo os pequenos e mĂ©dios agricultores. Como as importaçÔes foram reduzidas, o que sobra sĂŁo os estoques das grandes empresas. Esses fertilizantes devem ser vendidos em leilĂŁo (quem der mais leva), e alguns desses pequenos empreendedores poderĂŁo ficar sem a matĂ©ria prima e ver sua produção de alimentos prejudicada. A matĂ©ria prima deverĂĄ seguir aumentando”, pontuou.

Segundo Cardoso, como o Brasil é extremamente dependente dos mercados externos na aquisição de fertilizantes, uma guerra como a que estå acontecendo na Ucrùnia faz com que os impactos sejam extremamente relevantes.

Ele estima que, mesmo que o conflito terminasse hoje, o Brasil deverĂĄ sentir os impactos no recebimento e no estoque da matĂ©ria-prima por atĂ© quatro meses.

Diante do cenĂĄrio, uma outra medida que o governo brasileiro estĂĄ tomando Ă© a tentativa de uma maior aproximação com o CanadĂĄ, um dos principais exportadores do potĂĄssio, um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil negocia com empresas do Canadå para suprir a possível falta dos insumos importados.

O ministĂ©rio informou que â€œĂ© possĂ­vel contar com os volumes jĂĄ acordados e explorar possibilidades, ainda, para essa safra, mas com atenção Ă s capacidades logĂ­sticas de produção e transporte”.

Além de negociar com o Canadå, o órgão também informou que segue na prospecção de novos fornecedores para suprir possíveis necessidades.

20 de abril de 2022